Entrevista da Revista Life do Diário de Notícias a Investigador do CICANT

«O mecanismo de validação social implementado via likes e comentários na maioria das redes sociais mexe com os mesmos subsistemas do cérebro que ficam alterados em pessoas viciadas, por exemplo, no jogo ou em certas drogas. Estes subsistemas controlam a produção e consumo de um neurotransmissor chamado dopamina», explica o professor e investigador no Centro de Investigação em Comunicações Aplicadas e Novas Tecnologias – CICANT, da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.

Sejkko é o nome artístico do cientista Manuel Pita no Instagram, onde reúne perto de 300 mil seguidores de todo o mundo. Com fotografias de «casas solitárias» e paisagens, o doutorado em Inteligência Artificial e Ciências Cognitivas já conquistou a atenção de publicações como a Wired, o The Telegraph ou o HuffPost.

Dessa atividade intensa no Instagram nasceu parte do seu fascínio pelas «dinâmicas das redes complexas», área na qual prosseguiu a sua investigação no pós-doutoramento. Desde que criou a conta, há seis anos, Manuel tem vindo a questionar-se sobre a utilização das redes sociais, o que o fez mudar a sua forma de estar nestas plataformas.

«Antigamente, qualquer momento podia ser um momento para desbloquear o telemóvel e ver quantos likes mais tinham entrado em algum post, ou para publicar uma foto». Atualmente, Manuel vai ao telemóvel em momentos específicos e predeterminados do dia, e publica conteúdos apenas duas vezes por semana. «Fui o meu próprio sujeito experimental nos efeitos dos ciclos de dopamina [neurotransmissor associado ao bem-estar e ao prazer] no meu sistema. E aprendi a valorizar muito mais a minha capacidade de me focar numa coisa ou, no máximo, duas, por dia”.

Para compreender como tudo se processa é necessário falar da dopamina. «O mecanismo de validação social implementado via likes e comentários na maioria das redes sociais mexe com os mesmos subsistemas do cérebro que ficam alterados em pessoas viciadas, por exemplo, no jogo ou em certas drogas. Estes subsistemas controlam a produção e consumo de um neurotransmissor chamado dopamina», explica o professor e investigador no Centro de Investigação em Comunicações Aplicadas e Novas Tecnologias – CICANT, da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.

Quando aumenta o nível de dopamina no cérebro, há um aumento do fluxo sanguíneo e uma sensação de maior prazer. É o mesmo que acontece com o exercício físico, a comida e o sexo, mas, com as redes sociais, a gratificação é mais imediata. «O problema é que a repetição do comportamento pode acontecer muito mais frequentemente, o que tem o potencial de criar uma forte habituação», diz o investigador. Isto acaba por levar a alterações dos comportamentos. «A necessidade de estar ligados, de ver quantos likes entraram no último post, acabam por criar tempos prolongados nos quais não estamos presentes em lugar nenhum. Tempos nos quais estamos na subida ou na descida de um ciclo de dopamina», refere o cientista.

Segundo o cientista Manuel Pita, a capacidade de foco é, efetivamente, uma das áreas que está a ser afetada pelo uso das redes sociais. «Um estudo recente feito na Universidade Aalto, na Finlândia, argumenta que o tentar completar várias tarefas ao mesmo tempo diminui a produtividade, particularmente em tarefas que dependem de informação temporal», diz o professor da Universidade Lusófona.

A estudar a forma como as histórias com impacto global são contadas nestas aplicações, Manuel Pita explica que «no início das redes sociais, o algoritmo de apresentação era cronológico, mas nos últimos anos a maioria das redes sociais mudou para um algoritmo que apresenta os posts ‘mais relevantes’ primeiro de acordo com vários critérios». No contexto de diálogo político nas redes sociais, este mecanismo «favorece a emergência de pólos, e inibe a heterogeneidade de ideias discutidas».

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